Téo e Elisa não nasceram como personagens de série, mas não quiseram ir embora depois do primeiro livro pronto. Gente demais queria saber “e depois?”, mas principalmente eles dois: queriam saber e arriscaram me contar, se é que dá pra dizer assim de dois personagens que quase nunca fazem o que eu quero.

Porque TRÉGUA era isso: uma trégua, um respiro, um lampejo de possibilidade insustentável. Por isso NORTE: um caminho — um talvez. As histórias são independentes, continuam independentes, como também ESTILHAÇO vem inteiro sem precisar dos anteriores. Ainda assim elas funcionam juntas, claro, e no contexto da série ESTILHAÇO chega igual um gênio da lâmpada sem paciência que distorce o pedido e depois joga na sua cara MAS NÃO ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA?
Ou talvez o autor aos personagens: vocês são os únicos responsáveis pelas próprias ações.
TEOVERSO é uma palavra inventada provavelmente (certamente) por Aline Valek pra chamar esse universo em que Téo transita. E é isso mesmo que esses personagens parecem fazer: transitam, para além dos limites dos livros, e ameaçam se meter em tudo que é lugar sem pedir licença.
Porque eu não escrevi TRÉGUA para começar uma série — escrevi Trégua porque precisava escrever aquele livro.
Porque Téo e Elisa não me deram outra opção.
NORTE surgiu porque eu queria uma história para a viagem que eu fiz pela Argentina. ESTILHAÇO nasceu da adaptação de uma ideia antiga que eu ia usar com outros personagens. Ou seja: não era sobre Téo e Elisa. Eles só estavam ali, prontos — todo um universo.
Não são bem personagens. São gente, quase. Posso fechar os olhos e deixar que interajam sozinhos, na maior parte do tempo. Vez ou outra precisam um empurrãozinho — e resistem.
ESTILHAÇO foi talvez o autor testando os limites da própria criação e dizendo: vamos, quero ver resistir agora.
a campanha de financiamento de ESTILHAÇO está rolando! bora apoiar e me ajudar a divulgar?